ESTRELATO SEM JAMAIS PERDER A ESSÊNCIA
“ESTRELATO SEM JAMAIS PERDER A ESSÊNCIA”
Nasci no semi-árido do Nordeste,
Dos quatro irmãos e seis irmãs, sou a caçula,
Meu pai honrou a fama de cafajeste,
Com sua amante, picou a mula.
Minha mãe espelhou-se nas almas das guerreiras,
Na figura paterna e materna a se desdobrar,
Pela nossa sobrevivência, combateu trincheiras,
Disparidades sociais e preconceitos a nos marginalizar.
Fazíamos um rodízio pela escassa alimentação,
Nos dias em que não comia, a barriga roncava,
Ingeria água e farinha na única refeição,
Esta simples combinação me saciava.
Com meus dez anos era iletrada,
Passava horas vendo artefatos das vitrines, deslumbrada,
Graças a Deus tardiamente consegui ser alfabetizada,
Minha paixão: escrever versos de amor na madrugada.
Minhas poesias românticas se espalharam pela comunidade,
Críticos literários me tornaram uma celebridade, fui condecorada,
Do coração expressava minha sensibilidade, minha simplicidade,
Com o estrelato, jamais neguei minha essência, minha vida passada.
(João Rodrigo Matsumoto)
DIREITO AUTORAL RESERVADO - (LEI NÚMERO 9610/98 ART. 184) - REGISTRADO NA BIBLIOTECA NACIONAL/SP
- Escrito por: JOÃO-PROIBIDA A CÓPIA INDEVIDA às 21h20
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